Transportes de cargas pesadas na Bohnet GmbH
Um transporte de cargas pesadas requer um planeamento rigoroso. Na Bohnet GmbH, essa tarefa é assumida por Kevin Knaub, que não só planeia os trajetos meticulosamente como também se senta ao volante nas viagens noturnas.
No porto de Dresden, Kevin Knaub sente-se aliviado e satisfeito. Atrás de si tem dias difíceis e em parte desgastantes, mas agora o seu carregamento, uma turbina Siemens, chegou de forma segura ao seu destino. Três dias foi o tempo que durou o transporte da pesada turbina de 190 toneladas, desde Görlitz até Dresden, no qual se utilizaram dois camiões MAN, entre eles um novo MAN TGX 41.640 com motor D38.
Para Knaub, um dos primeiros grandes obstáculos foi uma ponte na autoestrada, sob a qual a mercadoria passou apenas por um triz. O que teria acontecido se não tivesse sido possível?
Ufa! Felizmente, nunca me tinha acontecido nada assim nos 16 anos em que sou motorista. Nesse caso, teria sido necessário chamar um camião-grua para levantar a mercadoria por cima da ponte. Mas um erro de planeamento de tal dimensão teria saído muito caro e afetaria significativamente a nossa imagem.
Planeou a viagem para Dresden durante seis meses. Foi um recorde?
Não. A viagem para Dresden é, de facto, sempre difícil, pois é tudo muito estreito, mas já tivemos viagens mais complexas. Até agora, o nosso transporte mais longo foi uma coluna de destilação. No total, o camião tinha um comprimento de quase 90 metros e o transporte foi efetuado por estrada e por barco, de Eschweiler, passando pelos Países Baixos, até Ludwigshafen. O respetivo planeamento durou quase um ano.
Como decorrem os preparativos para um transporte de cargas pesadas?
Quando recebemos uma sobretaxa para uma encomenda, tratamos de obter as autorizações das respetivas autoridades, observamos a mercadoria a transportar junto do cliente e percorremos o trajeto autorizado. Com um laser e uma mira, verificamos todos os raios de curva e a altura dos semáforos e cabos elétricos. Documentamos e fotografamos todos os pontos críticos. E, se em algum local, o raio de curva não for suficiente, tomamos as medidas necessárias para que a berma da estrada seja preparada com gravilha e placas de aço.
Planear ou conduzir – o que prefere?
Gosto das duas coisas, mas conduzir dá-me mais prazer. Há ângulos em que abanamos a cabeça e dizemos: “Não dá.” Depois, conduzimos até lá e afinal tornamo-lo possível. É isto que faz com que a minha profissão valha a pena.
Nem todos ficam entusiasmados por ter de efetuar um transporte de cargas pesadas…
É verdade. De certa forma, somos sempre vistos como um obstáculo ao trânsito. Muitos não percebem por que razão conduzimos tão devagar em alguns locais. Por exemplo, em algumas pontes, só podemos conduzir a 5 km/h, pois, caso contrário, as oscilações poderiam danificar a estrutura. Infelizmente, a maior parte das pessoas não tem conhecimento disso.
Mas também há reações positivas. Na viagem para Dresden, os moradores acenaram-lhe entusiasticamente quando atravessou aquelas localidades estreitas. Fica contente?
Sim, muito. Quando realizámos o transporte da coluna de destilação tivemos inclusivamente 3000 espetadores numa das aldeias. Nessa localidade, havia uma curva apertada e, quando finalmente a superámos, toda a gente começou a bater palmas. Lutamos durante uma hora ali num canto e, de repente, milhares de pessoas começam a aplaudir. Nesse momento, fiquei com pele de galinha. Foi muito, muito emocionante.
Não trabalha sozinho, mas sim em equipa. Até que ponto é importante a interação com os colegas na sua profissão?
Nesta profissão, não há lutadores solitários. É verdade que até aprendi a contornar um obstáculo a uma distância de apenas cinco centímetros, mas para o resto preciso dos olhos dos meus colegas. E se um dos companheiros nos diz que não dá, então é porque não dá mesmo. Não há qualquer discussão. Estamos todos em pé de igualdade e falamos uns com os outros antes, durante e depois de qualquer viagem. Só assim é possível. Sozinho nunca o conseguiria.
Desde abril que conduz o novo MAN TGX D38. Em que medida é que o veículo o ajuda nas suas tarefas difíceis?
Na medida em que fornece a potência necessária. Além disso, o veículo está completamente orientado para o motorista em matéria de conforto: tem muito espaço, camas grandes e estrados decentes. Para nós, é importante conseguirmos descansar bem. Afinal, temos de conduzir durante toda a noite plenamente concentrados e não nos podemos permitir um único erro. As mercadorias transportadas são simplesmente muito caras para que o possamos fazer.
Há momentos em que deseja que tivesse de conduzir apenas um camião, sem cargas pesadas, obstáculos e momentos de tensão?
Conduzo veículos de cargas pesadas porque quero. O meu pai já o fazia e eu entreguei o meu coração a este trabalho. Claro que estamos frequentemente em viagem e abdicamos de tempo que poderíamos passar com a família. Mas não me consigo imaginar a percorrer o mesmo trajeto todos os dias. Gosto do desafio.



